31.7.06

Meu único objeto de desejo dos exatos 15 minutos que antecederam este momento [o da decisão de relato]. Certamente o tão exclusivo complemento meu dos próximos 15 que virão. Ele, só ele, presente em meia-lua de relógio que me marca. Meia hora é o tempo suficiente para me fazer confusa, e por completa. Meço inexatidão e relatividade da cabeça aos pés. Preciso esquecê-las, ou melhor, me esquecê-la por enquanto, pois esses 30 minutos apenas lhe pertencem.
Ele chega e ocupa minha atmosfera representativa. Tenho a sensação de sê-lo bem mais desejado em minhas lembranças. Diante das luzes, ele é meio a meio – e não foi por acaso que optei por apenas meia hora. Decisão difícil já que não consigo eleger o meio que prevaleça em mim para que eu siga avidamente. Ele é meio meu carinho único instantâneo e meio minha repulsa, tudo o que menos escolhi. E é sempre nesta meia hora que ele é muito grande, bem maior. Daqui de longe tudo parece tão pouco suscetível a imperfeições, embora uma de suas metades me cause náusea, daquelas de quando você fica remoendo e remoendo alfinetes enquanto seu objetivo consciente é nunca mais lembrar daquilo que o é aversivo. Sua outra parte é linda de estrondos e terremotos dentro de mim. E eu sempre a quis. A verdade é que minha cobiça maior sempre foi a de um ele duas vezes essa metade. É a que me olha com aqueles olhos cuja protagonista é apenas eu. Não tenho a convicção, entretanto, se lá estou em todos os seus instantes de monólogo. Mas isso faz parte do que julgo ser a outra banda...
Pressinto que agora o problema maior não se encontra em mim. Nesta meia hora que dedico a somente ele, lhe garanto mais que as chances de costume para que supra toda a nossa necessidade de bicho, e do mais cego, surdo e mudo bicho. Mas a sua espetacular metade de hora sempre chega ao fim. Volto a senti-lo tão equilibrado: ele é o meio que me congela silenciosamente e o que me repele. Este é ele pra mim. Meu ele.