A Construção [da Imagem] do Objeto
Partículas suspensas, divisíveis, que flutuam sobre as cabeças iniciadas...
Construir imagem exige um certo trabalho, muitas vezes não percebido, primeiramente automatizado e árduo a medida em que as folhas do calendário caem sutileza abaixo. Cansaço retardatário! Antes, a surpresa.
Complexidade para aquelas cabeças iniciadas; iniciadas no processo de composição da obra de arte, peça por peça. Aqui, o que não se encaixa é grudado com pinceladas pretensiosas de cola branca. Logo se esquece o desfalque.
No ápice da certeza estrutural, ilusoriamente formada, desmoronam-se inicialmente os apêndices, depois o concreto barato. Caco a caco refaz o chão com mosaico simples, pronto para ser pisado. Mais uma vez, incompreendido.
As vigas ainda podem ser vistas ali ao centro, de pé, eretas. E pouco importam os desgastes. São imperceptíveis.
Renovam-se os esforços, serviço recomeçado... Abandonam o projeto falido pela metade. Mas aquilo que se sente, se ama, se teme, se toca, destrói ou incita indiferença não é metade. Farelo meu e seu, que você inspira e expira, que flutua sobre a minha e sobre a sua... Partículas suspensas! Alcanse-as se conseguir.
2 comentários:
Márcia, que texto sensual!
eu li!! lá lá lá!
e nem adiantou esconder tanto..
muito muito bom!
pessoas são sonhos mesmo.
nossos sonhos.
acho que por isso que é tão difícil viver com os pés no chão.
te amo
=**
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